| Bosque Mediterrâneo Aberto |
A Reserva da Faia Brava é caracterizada por uma biodiversidade elevada, especialmente no que diz respeito a grupos como as aves ou as plantas arbustivas. Mas o que realmente caracteriza a reserva e potencia esta biodiversidade é o bosque mediterrâneo aberto.
Os Bosques da Faia Brava são constituídos principalmente por montados de Sobreiro (Quercus suber) e Azinheira (Quercus ilex). Contudo, a área ocupada pelos Carrascos (nome dado às azinheiras na região) é bastante inferior à ocupada pelos sobreiros, principalmente devido à maior importância económica que a produção de cortiça tem para os agricultores. Existem também pequenos bosquetes Carvalho cerquinho (Quercus faginea). Esta é uma floresta bastante aberta, fruto de diversos e consecutivos fogos, que têm afectado significativamente todas as espécies de árvores. Os matos são maioritariamente constituídos por Giesta branca (Cytisus multiflorus), espécie que se expande rapidamente após um incêndio. Menos representados estão o Trovisco (Daphne gnidium), o Sargaço (Cistus salvifolius) e a Cornalheira (Pistacia terebinthus). As linhas de água, por vezes constituídas por densas galerias, são dominadas por Freixos (Fraxinus angustifolia). As linhas de água são ladeadas apenas por uma fila de árvores atulhadas, não raras vezes, com arbustos e silvas. Alternando com estas áreas florestais, a Reserva da Faia Brava possui também uma área agrícola considerável, que inclui culturas cerealíferas, olival e amendoal. Visto de cima, esta alternância cria um verdadeiro mosaico, o chamado mosaico agro-florestal, rico em biodiversidade.
|
|
|
| ZIF Algodres/Vale de Afonsinho |
Com o intuito de proteger a mancha de sobreiros situada entre o Rio Côa e a Ribeira de Aguiar (concelho de Figueira de Castelo Rodrigo), uma das mais bem preservadas desta espécie no distrito da Guarda, a ATN candidatou-se a apoios do Fundo Florestal Permanente, destinados a elaborar uma proposta de criação da Zona de Intervenção Florestal (ZIF) Algodres/Vale de Afonsinho. Esta candidatura foi aprovada em Março de 2006 e inclui também a elaboração de um Plano de Gestão Florestal e de um Plano de Defesa da Floresta
Para a efectiva constituição da ZIF Algodres/Vale de Afonsinho são necessários, no mínimo, 30 aderentes e 50% da área abrangida pela ZIF (Área Total: 2670,293 ha). Neste momento, está a ser elaborado o cadastro predial simplificado, que reúne todas as parcelas num projecto em sistema de informação geográfica.
RESULTADOS
Audiência Prévia – concluída; Consulta Pública – concluída; Audiência Final – concluída;
Angariação de aderentes – em execução; Elaboração do cadastro – em execução.
Nº aderentes: 29; Área dos aderentes: cerca de 700 ha
O que é uma Zona de Intervenção Florestal?
Uma Zona de Intervenção Florestal (ZIF) é uma área territorial contínua, constituída na sua maioria por espaços florestais, sujeita a um plano de gestão florestal e a um plano de defesa da floresta, e gerida por uma única entidade.
Objectivos:
- Promover uma gestão activa e permanente dos espaços florestais, através da existência de uma entidade gestora que assegura a gestão de todo o território da ZIF;
- Proteger eficazmente as áreas florestais e os espaços rurais associados, minimizando as condições de ignição e de propagação de incêndios e os factores de depauperamento da vitalidade dos povoamentos;
- Fomentar a recuperação ordenada dos espaços florestais e naturais afectados por incêndios;
- Dar coerência territorial e eficácia aos diferentes instrumentos de ordenamento e à acção de todos os que intervêm no espaço florestal
Quais as vantagens de um proprietário em aderir a uma ZIF?
Os espaços florestais contidos numa ZIF são submetidos a planos comuns de intervenção, podendo os proprietários ser apoiados quer através da gestão dos espaços, quer através da protecção da floresta contra incêndios. Através da ZIF, os proprietários têm igualmente maior facilidade (prioridade) em aceder a subsídios para a gestão das áreas florestais.
|
|
|
| Manutenção e Recuperação do Coberto arbóreo |
As alterações sociais do mundo rural ditaram o abandono das práticas agrícolas tradicionais. Devido à falta de maneio, os matos invadiram áreas agrícolas, pastagens e encheram os bosques, o que, conjugado com as tradicionais queimadas praticadas pelos pastores para eliminação de partes lenhosas e renovação das pastagens, tem levado a: (a) incêndios de grandes proporções; (b) degradação do mosaico agro-florestal; (c) diminuição dos níveis de biodiversidade.
Desde o incêndio de 2003, a ATN tem investido grande parte dos seus esforços na recuperação do coberto arbóreo na Reserva da Faia Brava, nomeadamente através de acções de REFLORESTAÇÃO de zonas ardidas e das principais linhas de água, PODAS E DESCORTIÇAMENTOS, ABERTURA DE CONTRA-FOGOS E PONTOS DE ÁGUA em zonas estratégicas, manutenção de um VIVEIRO FLORESTAL de árvores autóctones, para uso da ATN na reflorestação.
ACÇÕES
1. REFLORESTAR A FAIA BRAVA
A ATN organiza periodicamente acções de reflorestação em zonas afectadas por incêndios. Desde 2005 a 2010* foram plantadas na Reserva da Faia Brava, cerca de 18000 árvores de espécies autóctones. Estas reflorestações têm ajudado à constituição de cortinas de árvores folhosas, diversificação do coberto vegetal, aumento da biodiversidade, protecção contra fogos e protecção contra a erosão.
Estas acções têm sido desenvolvidas com o enorme apoio de voluntários, trazidos até à Faia Brava pelo Colectivo Germinal. Sem esta preciosa mão-de-obra e entusiasmo os resultados alcançados por este projecto seriam com certeza menores. Também têm sido várias as entidades que têm apoiado a ATN através da cedência de árvores (Quinta da Maunça, Reserva Natural da Serra da Malcata através do projecto Criar Bosques, Parque Natural da Serra da Estrela). Bem hajam!
*Campanha de 2010 só até 31 de Março em Novembro haverá mais plantações
RESULTADOS
| |
2005 |
2006 |
2007 |
2008 |
2009 |
2010 |
Total |
| Freixo |
1000 |
800 |
2000 |
120 |
570 |
1000 |
5490 |
| Sobreiro |
3000 |
20 |
0 |
0 |
900 |
0 |
3920 |
| Azinheira |
1000 |
500 |
0 |
0 |
1000 |
2000 |
4500 |
| Zelha |
400 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
400 |
| Carvalho negral |
0 |
500 |
0 |
160 |
500 |
0 |
1160 |
| Carvalho Cerquinho |
0 |
0 |
1000 |
0 |
0 |
350 |
1350 |
| Marmeleiro |
0 |
40 |
0 |
0 |
0 |
0 |
40 |
| Lodão |
0 |
120 |
200 |
0 |
0 |
200 |
520 |
| Nogueiras |
0 |
100 |
0 |
0 |
0 |
0 |
100 |
| Medronheiro |
0 |
0 |
240 |
0 |
0 |
0 |
240 |
| Salgueiro |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
100 |
100 |
| Choupo |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
100 |
100 |
| Abronheiro |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
100 |
100 |
| Figueira |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
50 |
50 |
| Pilriteiro |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
120 |
120 |
| Total Ano |
5400 |
2080 |
3440 |
280 |
2970 |
4020 |
18190 |
Para além do esforço de reflorestação que tem sido na Reserva da Faia Brava durante o Inverno, as árvores têm sido seguidas ao longo de todo o ano, com especial atenção na época seca de Verão, altura em que as árvores com idade inferior a 2 anos (especialmente sobreiros, azinheiras e carvalhos) têm sido regradas duas vezes por semana. A mortalidade das árvores é bastante inferior nas linhas de água.
2. PODAS E DESCORTIÇAMENTOS
Anualmente, a ATN tem também desenvolvido trabalhos de poda de sobreiro e azinheira. Este tipo de acção é essencial para a condução de árvores jovens para um melhor crescimento em altura e formação da copa. Para além disso as podas reduzem significativamente o risco de incêndio, já que são retirados os ramos mais baixos de cada árvore. As podas geram uma quantidade significativa de lenha de elevada qualidade que pode ser vendida pela ATN, tornando-se assim uma acção sustentável.
Os descortiçamentos tem sido feitos apenas nalgumas árvores e em zonas de menor risco de incêndio, já que a cortiça é uma eficaz camada protectora para as árvores. O descortiçamento permite à ATN obter algum rendimento para o financiamento de mais acções de recuperação e protecção do bosque. Para além disso, esta é uma das actividades tradicionais que se tem perdido na região e que importa promover junto dos agricultores locais, como uma actividade agrícola sustentável e rentável.
3. VIVEIRO FLORESTAL ATN
A ATN possui dois viveiros florestais (Hortas da Sabóia e Figueira de Castelo Rodrigo – terreno cedido pelo Município). Estes dois viveiros são fundamentais para a produção de plantas autóctones, apoiando directamente o projecto de reflorestação de forma autónoma e sustentável. Todas as sementes são recolhidas na região e germinadas em solo da região. São igualmente sujeitas a algum stress hídrico, para adaptação às condições rigorosas do terreno onde vão ser plantadas.
|

|
|
| Vigilância contra Incêndios Florestais |
Dada a gravidade dos incêndios ocorridos em anos recentes, que têm devastado vastas áreas de vegetação autóctone, descaracterizado a paisagem e reduzido os níveis de biodiversidade desta área, anualmente a ATN recorre a equipas especializadas de sapadores florestais, que durante os 3 meses estivais de maior risco de incêndio, desenvolvem acções de vigilância dentro da área de intervenção da ATN (freguesias de Algodres, Vilar de Amargo, Almendra, Castelo Melhor e Cidadelhe – ver mapa).
Em colaboração com inúmeros parceiros locais (Município de Figueira de Castelo Rodrigo, Município de Vila Nova de Foz Côa, Parque Arqueológico do Vale do Côa, Clube de Caça e Pesca de Algodres, Clube de Caça e Pesca de Almendra), a ATN tem desenvolvido acções de vigilância, limpeza e condução dos bosques, com o intuito de prevenir incêndios florestais.
Uma campanha de vigilância fixa e móvel diária, o contacto imediato com as autoridades, aliadas a uma 1ª intervenção rápida e eficaz de fogos nascentes, impedindo a sua evolução para grandes incêndios, tem sido a chave para o sucesso conseguido pela equipa de vigilantes da ATN ao longo dos anos. No entanto, todo o trabalho preventivo de desbastes e limpezas, realizado durante o Inverno traz vantagens ao combate de incêndios na Reserva Biológica da Faia Brava.
Também através do Programa de Voluntariado Jovem para as Floresta (IPJ), a ATN pretende sensibilizar a camada jovem local para a preservação da floresta da região e contar com a sua colaboração nas actividades de vigilância em unidades fixas (pontos de observação).
Participe neste esforço! Consulte mais informação em
CAMPANHAS DE VIGILÂNCIA – RELATÓRIOS (pdf)
Brevemente disponíveis
2005
2006
2007
|
|
|
| Silvo-pastorícia |
Num pequeno recanto da Faia Brava, existe um núcleo de cavalos de raça garrano (raça portuguesa, em vias de extinção).
Trata-se de um projecto que visa estudar o impacto destes cavalos na redução de arbustivas, com evidentes benefícios na redução do risco de incêndios.
Conheça as GARRANAS DA FAIA BRAVA, aqui.
|
|
|
| Projectos concluídos |
RECUPERAÇÃO DE SOBREIRAIS EM ALGODRES/VALE DE AFONSINHO
As freguesias de Algodres e Vale de Afonsinho, concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, possuem uma das maiores extensões de sobreiro do distrito da Guarda, perfazendo cerca de 500 ha. Os incêndios, cortes e o sobre-pastoreio têm ao longo dos anos, contribuído para a rarefacção deste maciço. Vários sobreiros centenários, que durante séculos se mantiveram teimosamente erguidos, morreram durante o incêndio devastador de 5 de Agosto de 2003. Por outro lado, as capacidades regenerativas do bosque foram largamente afectadas, devido às temperaturas letais que se fizeram sentir, agredindo sementes e jovens plantas. Este incêndio abrangeu uma área total de 2700 ha, incluindo os 500 ha de montado de sobreiro e azinheira, atingiu os maiores níveis de extensão e destruição de que há memória ns freguesias de Algodres e Vale de Afonsinho.
Em 2004, através de uma candidatura feita ao Fundo Social Europeu, a ATN desenvolveu um projecto para a recuperação deste importantíssimo povoamento de sobreiro, através da implementação de acções que se destinam a promover a regeneração natural dos maciços, diminuir a competição com espécies invasoras e prevenir problemas sanitários: a) remoção de matéria ardida; b) condução de povoamentos jovens; c) plantação de sobreiros; d) estudo fitosanitário. As acções foram efectuadas nos terrenos da associação e em terrenos dos maiores proprietários locais, com os quais se estabeleceu protocolos de colaboração.
ROTA ANTIGAS DE TRANSUMÂNCIA E DE PASTORÍCIA NO PARQUE NATURAL DO DOURO INTERNACIONAL
Na sequência do protocolo de colaboração estabelecido em Outubro de 2005 entre o Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) e a Associação Transumância e Natureza, procedeu esta associação durante o período de Outubro de 2004 e Março de 2005, ao levantamento de diversos percursos de turismo de natureza dentro dessa Área Protegida tendo como mote a reconstituição das antigas rotas transumantes.
Tendo sido a transumância uma actividade de deslocação periódica de gado ovino, acompanhada pelos pastores, ao longo de vastas regiões por forma a aproveitar as diferenças sazonais de disponibilidade forrageira, e encontrando-se extinta no território do Parque Natural do Douro Internacional, procurámos fundamentalmente detectar os vestígios da sua presença no passado recente e descrever o seu legado no actual património cultural desta região. Daí que tenhamos estudado, complementarmente, a pastorícia de percurso, actividade que ainda se mantém viva e com grande importância do ponto de vista socio-económico.
|
|
|
|