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O GOSTO DA BIODIVERSIDADE
A Associação Transumância e Natureza tem em curso vários projectos, quer no seu plano de gestão para dez anos, quer no plano de acção para os próximos três anos. “O gosto da biodiversidade” é um projecto que se insere na lógica de crescimento da associação e visa fazer chegar aos centros urbanos informação sobre a Faia Brava e os valores de conservação que contém, através da explicitação da relação entre os hábitos de consumo alimentar e a conservação da natureza. Há um conjunto alargado de actividades conexas que não constam desta memória descritiva, como seja a monitorização científica da Reserva da Faia Brava que sustenta a produção de informação sobre os efeitos das práticas agrícolas, florestais e pecuárias na conservação da diversidade biológica. Estas actividades resultam da gestão global do projecto da Faia Brava de que “O gosto da Biodiversidade” é uma componente de suporte e comunicação. O projecto é pois um projecto estrutural da ATN que se pretende que venha a crescer e consolidar-se. Objectivos e descrição do projecto
O projecto tem como objectivo tornar visível, a relação entre o consumo de alimentos e a gestão do território. O projecto liga a alimentação à gestão da Faia Brava através de uma cozinha de autor apelativa, acompanhada da informação necessária para que o público ganhe consciência das implicações das suas opções de consumo alimentar na gestão de paisagens. Resumindo, o conceito base é desenvolver um projecto de comunicação assente na ideia de fazer conservação pela alimentação.O instrumento usado é a realização de workshops gastronómicos assentes nos produtos da FAIA BRAVA e região envolvente, dirigidos ao grande público. A linha de força é a valorização de sub-produtos da conservação, isto é, o que se pretende não é, por exemplo, valorizar o centeio por si, como é corrente em projectos estritamente orientados para o desenvolvimento local. O que se pretende é valorizar a produção de centeio que é feita por razões de conservação. Pretende-se que a cozinha de autor com base em produtos tradicionais valorize simultaneamente a tradição culinária da região e a inovação. Será procurado tanto o uso de variedade regionais de produtos agrícolas, como o uso de espécies silvestres (o gelado de poejo, desenvolvido noutro contexto pelo parceiro do projecto Chef António Alexandre, pode ser um bom exemplo para outras criações culinárias). Embora o projecto use a relação entre o consumo de alimentos e a biodiversidade como trave mestra, os grandes consensos quanto ao consumo sustentável na alimentação estarão presentes: a proximidade relativa entre produção e consumo, o uso de produtos de época, a moderação do consumo de carne e peixe e o uso de produtos pouco processados industrialmente, nomeadamente sem longos períodos de conservação pelo frio. Desenvolvimento do projecto
Executar-se-ão 3 oficinas culinárias em diferentes épocas do ano, a realizar em áreas urbanas de elevada frequência, preferencialmente em centros comerciais urbanos de Lisboa e Porto, onde se promovam os produtos e saberes da FAIA BRAVA assentes numa perspectiva de contemporaneidade em que, respeitando as tradições, se inova. A anteceder estas acções haverá uma inventariação de produtos com interesse gastronómico, existentes na FAIA BRAVA e na região envolvente, com vista à sua utilização e promoção nestas iniciativas. Far-se-á a identificação de famílias de produtos locais e regionais, fazendo um levantamento histórico da gastronomia da região, ampliando esta pesquisa a todas as especialidades com interesse gastronómico. Os produtos que poderão ser utilizados são por exemplo: vinhos, vinagres, animais de criação semi-selvagem e selvagem, aves, caprinos, ovinos, porco cruzado, vitela, novilho, caça de pêlo e penas, caça grossa, peixe de rio, cereais, legumes e frutas, frutos, ervas e bagas silvestres, azeite, legumes secos, compotas, geleias, chás, micocultura, queijos e outros produtos lácteos, doces regionais (de colher, de fruta e de ovos), mel, charcutaria de fabrico regional existente. O Chef António Alexandre propõe-se ainda a transformar determinados sub-produtos da região de modo a torná-los mais apetecíveis aos consumidores, desenvolvendo, em parceria com a ATN, não só uma forma de rentabilizar os meios existentes como também promover a sustentabilidade da mesma através da criação de valor. A estas oficinas estará associada comunicação assente nas relações alimentação/ conservação. A ATN gere o projecto, produz informação sobre as relações produtos/ conservação, gere a comunicação e fornece produtos. O parceiro gastronómico, Chef António Alexandre, organiza e executa as oficinas de culinária de modo a promover os produtos da FAIA BRAVA, criando novos sub-produtos e incluindo uma parte teórica e prática dedicada à alimentação saudável para as crianças e adolescentes, promovendo planos alimentares equilibrados baseados nos produtos regionais e da época. Pretende-se partilhar o máximo de informação teórica e pratica com as crianças, com o envolvimento dos pais, para que estes posteriormente apliquem os conceitos apreendidos na gestão quotidiana da alimentação e da nutrição dos seus filhos. Serão abordados os mais variados aspectos fundamentais da nutrição para os anos de formação das crianças e dos jovens adolescentes. Estas oficinas de cozinha são concebidas de forma a serem nutricionalmente equilibradas e adequadas às diferentes necessidades das crianças e jovens. Resumo de necessidades para a execução das oficinas gastronómicas:
Resultados esperados
Do projecto espera-se que resulte: A consolidação de uma relação duradoura com os parceiros que gerem os locais de execução das oficinas, preferencialmente Centros Comerciais com quem existem contactos preliminares, integrando-as nos seus programas de animação e na sua comunicação; A divulgação dos produtos e do trabalho de conservação na Faia Brava, e consequente aumento do seu consumo e valor; A alteração de hábitos de consumo alimentar quer do público directamente envolvido nas oficinas gastronómicas, quer de responsáveis por escolas e refeitórios que venham a ter contacto com o projecto e com as implicações dos hábitos de consumo alimentar na gestão de paisagens; Uma avaliação da sustentabilidade futura do projecto, incluindo a possibilidade de auto-financiamento a partir do pagamento de valores justos de participação nas oficinas gastronómicas, o que não acontecerá na fase experimental. Curricula
Henrique Pereira dos Santos, arquitecto paisagista de formação, com mais de 25 anos de trabalho em Conservação da Natureza, incluindo o desempenho de cargos como o de Vice-Presidente do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade e a responsabilidade de processos como a iniciativa Business and Biodiversity, a Escola na Natureza ou programas de cooperação na ára da educação ambiental como o programa desenvolvido com a Casa Pia para o uso da sua Quinta do Arrife para a educação ambiental dirigida aos seus alunos com necessidades educativas especiais. O Chef António Alexandre, com vários anos de prática profissional ao mais alto nível, incluindo até recentemente a responsabilidade pela cozinha do restaurante Bica do Sapato, tem vindo a trabalhar em iniciativas que usam os produtos locais como base para a criação de uma culinária inovadora de que é exemplo a sua participação nas duas últimas feiras dos Parques Naturais e Ambiente em Olhão, com uma combinação de uso de produtos algarvios e biológicos surpreendente e valorizadora de produtos quase esquecidos ou muito pouco considerados actualmente. Julho 2009
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Fotografias
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