Na rede complexa do biótopo da Reserva da Faia Brava, o olival e o amendoal são espécies características e fulcrais para a manutenção do mosaico agro-florestal e da biodiversidade. Através da manutenção destes pomares tradicionais é garantida também uma diversidade interessante de espécies vegetais e uma disponibilidade de frutos maduros na época fria, garantindo assim disponibilidade alimentar para a fauna frugívora.
A ATN possui aproximadamente 20 ha de olival e amendoal tradicional, a maioria dos quais tinham já sido abandonados, por se encontrarem em zonas afastadas das aldeias, em terrenos íngremes e difíceis de trabalhar.
Para a ATN estes são os terrenos mais interessantes, devido à proximidade das zonas rochosas dos vales, e onde é possível implementar uma gestão de cultivos que resulte numa maior tranquilidade para as aves rupícolas. Estes terrenos têm sido recuperados, através de acções de poda de recuperação e mobilização superficial do solo, sideração e estrumação dos solos, técnicas pouco agressivas e que aumentam a produtividade destes cultivos.
A OLIVEIRA
A oliveira (Olea europaea L.) é uma árvore baixa, de tronco retorcido, nativa da parte oriental do Mar Mediterrâneo. Desde o final do período neolítico que o ser humano usa o seu fruto, a azeitona, tendo aprendido a extrair o azeite. Este óleo era empregado como unguento, combustível e como ingrediente na alimentação. Por todas estas utilidades, a oliveira tornou-se uma árvore venerada por diversos povos.
Não se consegue precisar qual o antepassado botânico da oliveira doméstica. Julga-se provir da espécie Oleaster olea sylvestris, que ainda cresce selvagem no Norte de África, Portugal, Sul da França, Itália e nas zonas periféricas dos mares Negro e Cáspio. Existe também a possibilidade de ter origem numa árvore que cobria grande parte do deserto do Sahara, antes da época Glaciar.
A oliveira é a mais antiga árvore cultivada. Inicialmente cultivadas em África, foram transportadas pelos Fenícios até Marrocos, Argélia e Tunísia. Foi em Creta e na Síria, há mais de 5000 anos, que se inicializou a cultura do olival. No ano de 600 a.C., a olivicultura foi adoptada pela Grécia, Itália e por outros países do Mediterrâneo. Historicamente, desempenhou um papel muito importante na religião, na alimentação, e na arte. Também é conhecida como o símbolo da paz, da sabedoria e da vitória.
Actualmente, a azeitona tem principalmente duas aplicações: mesa e transformação. Em Portugal, a importância deste fruto na gastronomia é significativa. Para além de produtor e consumidor, Portugal apresenta-se também como exportador de azeite, principalmente para países orientais, que procuram cada vez mais produtos mediterrâneos.
A AMENDOEIRA
A amendoeira (Prunus dulcis) é uma árvore de folha caduca, da família Rosaceae. O termo amêndoa refere-se à semente do fruto da amendoeira.
Em Portugal, a amendoeira é frequente na região do Douro e no Algarve. Nestas regiões, a produção de amêndoa ainda assume alguma importância. Adicionalmente, o espectáculo das amendoeiras em flor, serve de base a festas anuais na região do Douro, adquirindo assim um valor paisagístico e turístico acentuado, apoiando a economia local.
A amêndoa tem lugar na gastronomia portuguesa, principalmente na doçaria. Das amêndoas são também extraídos óleos e essências, possuidores de propriedades medicinais e muito utilizados na indústria de cosméticos. Apesar da comercialização de frutos secos em Portugal ser ainda uma actividade económica estável, a região do Douro tem visto o amendoal ser abandonado, uma das consequências do abandono agrícola generalizado. É assim importante apostar na valorização da amendoeira e dos seus produtos.