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A ATN é parceira oficial da STN (Stichting Transhumance en Natuur - Holanda)
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CAMPANHA GARRANOS
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GARRANO
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ESTE PROJECTO
DESCRIÇÃO

A silvo-pastorícia define-se como a gestão de espaços naturais através do maneio extensivo por grandes herbívoros (pastoreio) equilibrando, assim, a área de clareiras com as áreas florestais. A introdução de herbívoros selvagens ou semi-selvagens de grande porte em espaços florestais é uma prática utilizada nalgumas reservas naturais em todo o mundo. Este tipo de acção tem uma taxa de sucesso elevada, desde que seja controlada a população de animais introduzidos, nomeadamente através do uso de carnívoros ou através da transferência de animais em excesso para outros locais.

Em Portugal existem bons exemplos de silvo-pastorícia nalgumas explorações pecuárias de grande dimensão. A ATN deu inicio, em 2005, a uma experiência de silvo-pastorícia, em 11ha vedados na Reserva Biológica da Faia Brava, tendo esta experiência evoluído para o projecto GARRANOS DA FAIA BRAVA.

Este projecto pioneiro com equinos autóctones de raça garrano, pretende estudar a redução de plantas arbustivas e controle de pastagens pelos cavalos, criando zonas de clareira em bosques de Quercus.

Esta experiência já provou ter benefícios em termos de redução do risco de incêndio e de aumento de fertilidade dos solos, através de reposição de matéria orgânica das fezes. O equilíbrio existente na zona de intervenção é notória, já que no espaço de dois anos, os garranos foram criando zonas abertas, com cerca de 0,5ha, que possuem uma incidência baixa de arbustivas e um coberto vegetal diversificado, contendo 60% de leguminosas e 40% de gramíneas.

O projecto envolve também a reconstrução de casebres de pedra posta, a construção de cercas, o melhoramento de pastagens naturais, a introdução e maneio de equinos em estado semi-selvagem.

OBJECTIVOS
  • Gestão Agro-Florestal através da silvo-pastorícia utilizando uma manada de cavalos Garranos
  • Conservação do cavalo de raça Garrana
Sem nome
APOIOS
  • Adopções vitalícias:
    - Laura van den Boogaard
    - Ana Maria da Conceição Ventura Nunes
    - José Augusto Monteiro
    - Mafalda Sousa Lopes A. Monteiro
    - Miguel Sousa Lopes Almeida Monteiro
    - Sónia Emanuel Leite Araújo Pereira
    - António Gama
    - Maria Gama
    - Jorge Gama
    - Paula Alexandra Pereira
    - João Filipe Veloso Vieira
    - Beatriz Isabel Alberto de Carvalho
    - Gustavo Miguel Pinto da Silva
    - Patrícia Maria Pinto da Silva
    - Mariana Abreu Aves
    - João Francisco Feitor Saldanha Nunes
    - Catarina Feitor Almeida
    - Luís Maia Lobo Monte-Pegado
    - Soraia da Silva Marques
    - Sofia Margarida Borges Santiago
    - António Miguel da Silva Santos
    - António Miguel da Silva Santos
    - Josine Brouwer
    - Marita Hoefsloot
    - Fernando Manuel Sousa Vieira
    - Colegio Delibes
    - Erik Menkveld e Marita Driessen
    - Adelino Antero Cunha da Costa
    - João Paulo Alexandre Alves
    - Romke Rouw

  • Adopções anuais:
    - Turma 8ºA ES FCR - 2008
    - Rosa Freire de Andrade - 2008
    - Mariana Freire de Andrade - 2008
    - Guiomar Freire de Andrade - 2008
    - André Santos - 2009
    - Odete da Graça Fernandes Correia - 2009
    - Hermegildo Eusebio R.Correia - 2009
    - Julieta Lucinda Vieira - 2010
    - Felícia Queiroz Portela - 2010
    - Isabel de Jesus de Almeida - 2010
O Garrano
HISTÓRIA

O cavalo garrano é um equino de pequena estatura e é um dos representantes ibéricos do cavalo de tipo celta, proveniente das regiões montanhosas do nordeste ibérico. Descendente da fauna glaciar paleolítica, o garrano concentra-se, actualmente, em grupos familiares no nordeste de Portugal. Apesar da sua estatura apresenta-se como um animal corajoso e resistente, tendo sido utilizado, nos tempos da Lusitânia de Viriato, nos confrontos com legiões romanas. A tripla função: carne, trabalho e transporte fez, deste magnífico animal, uma ferramenta indispensável na agricultura praticada no nordeste de Portugal. Mais recentemente, com a maquinização da agricultura e com o próprio abandono agrícola, tornou-se, à semelhança de outros equinos, dispensável e é uma das raças autóctones ameaçadas de Portugal.


CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS E COMPORTAMENTAIS

Altura: ao garrote 1,35m (altura recomendada 1,25m); Pelagem: castanha quase sempre sem sinais, mais clara no focinho (bocalvo), cabos e crinas pretas; Cabeça: fina e máscula, de perfil recto ou concavo, desproporcionadamente grande relativamente ao corpo; Pescoço: bem dirigido curto, grosso e musculado; Garupa: de ancas saídas, forte e larga pendendo para o horizontal; Membros: aprumados, curtos mas grossos, fortes, de quartelas direitas, vestidas de pêlo grosso, cascos cilíndricos; Temperamento: dócil, apesar do carácter bravio e arisco, cavalo resistente de fundo, sóbrio e fácil de ensinar.

Cavalo Garrano na Serra do Gerês
Garranas da Faia Brava
Faia Brava
CARACTERIZAÇÃO DO EFECTIVO

A Reserva da Faia Brava alberga, neste momento, 26 exemplares de equinos de raça Garrana, com idades compreendidas entre os 6 meses e os 10 anos. Conheça os garranos aqui.


CARACTERIZAÇÃO DO TERRITÓRIO

O território dos Garranos localiza-se na zona nordeste da reserva e encontra-se a aproximadamente 1000m a oeste do rio Côa, tendo uma topografia relativamente acidentada.

O recinto 1, com 11ha, e o recinto 2, com 100 ha, caracterizam-se pela presença de bosques climatófilos de azinheira, comunidades de giesta piorneira, zonas de matos arbustivos e solos temporariamente encharcados (lameiros), sendo que os afloramentos graníticos são uma constante da paisagem. A diversidade de flora é bastante elevada, mas tem sido condicionada pelo abandono agrícola, pelos incêndios frequentes e pela falta de gestão da pastorícia.

Ribeiras de caudal médio (Frieira e Cachão) cortam o terreno e proporcionam abeberamento durante os meses com índices de humidade relativa acima dos 80%. Nos restantes meses, a água encontra-se retida temporariamente em pequenas depressões ao longo da ribeira e permanentemente em charcas artificiais.

Para além dos pastos naturais, existe no recinto 1 um pasto melhorado com aproximadamente 1,5ha, que garante uma fonte suplementar de alimento.


INSTALAÇÕES

Dentro dos limites do cercado existem 5 a 7 construções de pedra posta (casebres tradicionais).

Em 2005, foi reconstruído o telhado de uma das construções (com cerca de 50m2 de área), com vigas de betão armado e telha portuguesa. Já em 2008, foi reconstruído o telhado de um palheiro (com aproximadamente 12m2), segundo técnicas tradicionais, usando giesta para cobertura.

Estas duas estruturas servem tanto para abrigo dos animais, como para o armazenamento de alimento forrageiro e concentrado.


ALIMENTAÇÃO

A alimentação aplicada aos equinos da Faia Brava é em regime de "ad libidum", pelo que a forragem ingerida advêm maioritariamente das pastagens naturais existentes no território. A alimentação é suplementada nas épocas de maior escassez, sendo fornecidos 6,5kg de feno e 0,6kg de concentrado por animal. A pastagem melhorada, implementada em 2007, proporcionará uma maior disponibilidade alimentar durante o ano.


PLANO SANITÁRIO

Anualmente, os animais são sujeitos a uma desparasitação interna e externa. É feita uma limpeza anual ao casebre que serve de abrigo aos animais e também às imediações, de modo a reduzir a carga de agentes patogénicos em zonas muito utilizadas pelos animais.


MANEIO

O regime praticado no projecto "GARRANOS DA FAIA BRAVA" é exclusivamente extensivo. Os animais são criados em semi-liberdade e o contacto com humanos só se regista durante os períodos de alimentação artificial ou em acções efectuadas nos limites do cercado. O maneio é efectuado por pessoal com experiência na lide de equinos ou animais em regime extensivo.

Dada a natureza bravia de todos os exemplares, o maneio directo de animais adultos torna-se uma tarefa morosa e difícil. São tomadas todas as precauções para que o processo de captura e de contacto seja o mais curto e menos stressante possível para os animais.

Castanha, a lider da manada
A manada na Primavera
Lameiro no cercado das garranas
Acções e Resultados
CONSTRUÇÃO DE INFRA-ESTRUTURAS (2005)

Em 2005 foi construída uma vedação em rede quadrangular (0,10mX0,10m), com uma altura de 1,40m. Adicionalmente, de forma a melhorar as condições de permanência dos cavalos na Faia Brava, foi construída uma charca na zona de pastagem permanente.


COMPRA DE GARRANOS (2005 e 2007)

Foram adquiridos 6 exemplares inscritos no Livro de Nascimentos da Associação Nacional de Criadores de Raça Garrano.


PLANTAÇÃO DE ÁRVORES (2005-2008)

Parte integrante do plano de actividades do projecto Bosques da Faia Brava, foi efectuada uma plantação de aproximadamente 400 árvores na Ribeira da Frieira, que passa no cercado dos Garranos, e também na bordadura do cercado e da charca.


PODA DE AZINHEIRAS E SOBREIROS (2005-2008)

São efectuadas anualmente podas a sobreiros e azinheiras perfazendo um total aproximado de 150 árvores. Os desperdícios das podas são aproveitados pelos garranos.


RECUPERAÇÃO DE VEDAÇÕES

Periodicamente é efectuada uma vistoria a toda vedação sendo reforçada e recuperada em zonas de mau estado de conservação. Actualmente as vedações encontram-se em médio estado de conservação.


MELHORAMENTO DE PASTOS E CONSTRUÇÃO DE CERCA ELÉCTRICA (2007)

Em Setembro de 2007 procedeu-se à mobilização superficial do solo, numa área de 1,5ha no território dos Garranos. Na mesma área foi efectuada uma sementeira com uma mistura de sementes de leguminosas e gramíneas regionais (40kg/ha). Para protecção da sementeira durante o seu crescimento foi instalada, em Dezembro de 2007, uma vedação eléctrica cuja habituação, por parte dos animais, foi conseguida com êxito.


A distribuição vegetal do pasto melhorado é heterogénea e um pouco esparsa, pelo que será necessária adubação (Março de 2008), para melhoria da qualidade do pasto. A pastagem estará disponível para os Garranos em Abril de 2008.


ACOMPANHAMENTO TÉCNICO DA CONDIÇÃO DOS ANIMAIS E DO TERRITÓRIO

Quinzenalmente é efectuada uma avaliação da condição física dos animais e uma avaliação do coberto vegetal dos terrenos. Em Setembro de 2007 foi detectada sarna sarcóptica nalguns dos animais, tendo contagiado toda a manada em Dezembro do mesmo ano. A desparasitação foi efectuada em Dezembro de 2007, tendo-se notado a regressão do parasitismo em todos os animais já em 2008. A condição corporal do efectivo em Fevereiro de 2008 foi avaliada como MÉDIA a MÉDIA BAIXA (escala: BAIXA / MÉDIA BAIXA / MÉDIA / MÉDIA ALTA / ALTA), provavelmente devido à reduzida pluviosidade que se fez sentir durante o Outono/Inverno de 2007, o que tem resultado numa fraca qualidade de pastagem. Durante este período os Garranos receberam suplemento alimentar diariamente.


RESULTADOS DA EXPERIÊNCIA DE SILVO-PASTORÍCIA: EVOLUÇÃO DO COBERTO VEGETAL E REDUÇÃO DO RISCO DE INCÊNDIO

Depois de 2 anos de experiência é já bastante notória a existência de clareiras naturais de 0,5 a 0,8ha, com uma baixa densidade de arbustivas. Os Garranos têm tido um efeito significativo na redução do risco de incêndio. A ATN está agora pronta a ampliar o projecto de silvo-pastoricia para uma nova área da Reserva da Faia Brava.


COMPRA DE GARRANOS (2008)

No âmbito de uma nova campanha de adopção, a ATN adquiriu em 2008 14 garranos jovens (5 machos e 9 fêmeas). Infelizmente, uma das fêmeas faleceu devido a uma lesão interna provocada por uma queda.


MANGA DE CONTENÇÃO (2010)

Para um maneio correcto de todo o efectivo de garranos na Faia Brava, a ATN construiu uma estrutura para apoiar a contenção e maneio directo dos equinos. A manga de maneio facilita a captura dos indivíduos, a administração de medicamentos e a avaliação corporal.


REPRODUÇÃO DE GARRANOS (2008)

A introdução de um garanhão Garrano na manada proporciona a cobrição natural das éguas. As épocas de cobrição não serão delineadas ou programadas pelo que a permanência do Garrano na manada será permanente. Já nasceram na reserva 3 poldros, 1 em 2009 (Ervideiro) e 2 em 2010 (Freixo e Falco).


NOVOS LIMITES (2009 E 2010)

Devido à topografia do terreno, condições climatéricas da região, encabeçamento existente e considerando os óptimos resultados conseguidos pelo projecto no controlo da vegetação e consequente diminuição de risco de incêndio, a ATN alargou em 2009 e 2010 o território do projecto GARRANOS DA FAIA BRAVA para cerca de 115 ha, possibilitando o aumento da carga animal em terrenos que ainda possuem um coberto vegetal abundante e, logo, um risco de incêndio elevado. A ATN espera assim poder tornar a gestão florestal na Reserva da Faia Brava mais eficiente.


AUMENTO DO EFECTIVO

Com o aumento de território, o efectivo pecuário terá de ser adequado à área de pastagem natural existente. A ATN pretende-se aumentar a manada de garranos para um total de 30 indivíduos, aumentando o encabeçamento para 0,3CN (animais por ha). Em 2011, 26 garranos percorrem a Faia Brava em estado semi-selvagem.


Pasto melhorado e vedação eléctrica
Salgueiro plantado em Janeiro de 2008
Charca das Garranas
Clareira criada pelas garranas
Clareira criada pelas garranas 2
Ampliação do projecto
JUSTIFICAÇÃO

Após 5 anos de existência do projecto Garranos da Faia Brava, a ATN considera os resultados obtidos em termos de controlo do coberto vegetal pelos cavalos muito positivos, confirmando assim a importância que o gado e a silvo-pastorícia sempre teve na manutenção do bosque mediterrâneo aberto.

Perante a necessidade de controlar o risco de incêndio na Reserva da Faia Brava e de contribuir para o aumento do efectivo garrano do país, a ATN propõe a ampliação progressiva do projecto GARRANOS DA FAIA BRAVA.

A área a atingir pela reestruturação do projecto será superior ao dobro da actual, pelo que o efectivo pecuário também poderá ser distribuido por vários cercados adjacentes. Um dos objectivos principais consiste na manutenção do núcleo reprodutor de garranos, que contribuirá para a gestão silvo-pastoril de uma área estratégica da Reserva da Faia Brava. Este é um grande passo para a conservação do Garrano e um enorme passo para a conservação do bosque mediterrâneo da Faia Brava.

A ATN espera poder alargar o projecto de Silvo-pastorícia a toda a reserva. A médio prazo esperamos poder ver garranos selvagens a galopar pelos 600ha da Reserva da Faia Brava.


Alimentação das garranas, junto ao abrigo
As Garranas da Faia Brava