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Agosto07Construção de sebes - Hedge pledging

A ideia surgiu à mesa de um pub londrino, algures no Soho, entre dois goles de cerveja, à espera de um prato de fish‘n’chips. A ilustração da base de copos em cartão é da marca inglesa “Badger” – Texugo, nome sugestivo pois este bicho é também um dos habitantes silvestres da Faia Brava. A observação atenta do quadradinho de cartão e a leitura do seu verso, fizeram o clique, e o quebra-cabeças das vedações de gado da futura Reserva da Faia Brava resolveu-se num ápice.








Base de copos da marca inglesa "Badger"


Quando na ATN se começou a idealizar um sistema de silvo-pastoricia, com equinos e bovinos autóctones, direccionado para a redução do risco de incêndio e para a valorização ecológica das encostas pedregosa do Vale do Côa, surgiu a dúvida àcerca do desenho das vedações a usar na gestão pecuária.


Num projecto como o da Reserva da Faia Brava, a constituição inevitável de vedações artificiais, deve responder a 4 desafios fundamentais: 1) impedir a “fuga” de animais de criação de grande porte; 2) ser absolutamente permeável à fauna, nomeadamente aos maiores animais caso do Javali, Corço e Raposa; 3) ser constituída por materiais pouco dispendiosos e fáceis de aplicar; 4) garantir boa integração paisagística, uma vez que não queremos agressões na paisagem, e o sitio tem valor histórico e arqueológico.



Aquando da compra das primeiras Garranas, a solução ideal foi a instalação de postes metálicos (de 4 em
4 metros), com rede ovelheira alternando 4-5 fiadas de arame. Trata-se de uma sistema durável, fácil de aplicar e relativamente barato. Por outro lado, os vãos que estão associados às inúmeras irregularidades de terreno como fendas, maciços elevados, secções de muros, garantem a formação de passagens (superiores e inferiores) para a fauna. No entanto, ficou por resolver o aspecto estético.

Foi no presente ano que surgiu a solução, por influência da tradição inglesa de construção de sebes “hedge pledging”. De facto, as plantas espinhosas, típicas do sub-coberto do bosque mediterrânico, portam-se como trepadeiras e poderão assim servir para invadir e naturalizar por completo as estruturas artificiais, tendo como resultado final um conjunto de sebes mais ou menos lineares, com grande valor em biodiversidade e em termos ambientais.



Manada de garranos na Reserva da Faia Brava


Tendo em conta que foi encontrado o modelo de vedação (postes metálicos com rede ovelheira e fiadas de arames, ao qual se associam plantas espinhosas e trepadeiras), partimos nos últimos dias de Inverno 2007/2008 para a sua instalação no terreno. Durante 4 dias (
17 a 20 de Março), procedeu-se à recolha e transplante da seguintes espécies de plantas: 300 pés de Roseira-brava (Rosa canina - também conhecida em Ribacôa como Garvanceira); 300 pés de Silva (Rubus sp.); 50 pés de Gilbardeira (Ruscus aculeatus), 40 pés de Videira (Vitis vinífera), 100 pés de Hera (Hedera helix) e 1 pé de Pilriteiro (Crataegus monogyna).

O primeiro dia foi dedicado a essa tarefa. No caso das roseiras, silvas e heras procedeu-se ao corte de estacas com tesoura de podar, e para as restantes ao arranque com raiz. Os exemplares foram arrumados em molhos e devidamente identificados por espécie e local de proveniência. Os restantes 3 dias foram dedicados à plantação à cova, nos casos de plantas com raiz, e no caso das estacas,  através do simples enterramento das mesmas. A vedação das Garranas, foi percorrida integralmente e colocámos
1 pé por cada 2 m, aproximadamente, com excepção dos casos onde já existiam outras plantas arbustiva e árvores, ou troços de rocha à superficie.

Para além dos trabalhos de avaliação dos resultados desta primeira acção, iremos proceder a nova plantação no próximo Outono, procurando preencher a lacuna da presente vedação, assim como naturalizar a nova vedação prevista para as garranas.

As datas de futuras acções de plantação serão divulgadas mais adiante e obviamente agradecemos toda a ajuda voluntária! Garantimos luvas para todos!


Para mais informações contacte Filipe Figueiredo - f.figueiredo@atnatureza.org

Equipa (Carlos Pereira, Filipe Figueiredo e João Pacheco)


 
Estacas de silva usadas nas sebes