Português English
Nº DE VISITANTES: 72813
A ATN é parceira oficial da STN (Stichting Transhumance en Natuur - Holanda)
Início > Notícias > Campo de Trabalho - Conservação de Aves Rupícolas no Vale do Côa – 3ª edição
NOTÍCIAS
Julho31Campo de Trabalho - Conservação de Aves Rupícolas no Vale do Côa – 3ª edição

Pelo terceiro ano consecutivo, a ATN organizou um campo de trabalho dedicado à conservação de aves rupícolas no vale do Côa. Esta actividade pretende juntar participantes interessados em apoiar activamente o projecto Cliff-Breeders, ao mesmo tempo que ganham mais conhecimentos sobre estas espécies e sobre as medidas de conservação implementadas para a sua conservação. Este ano, a ATN contou com um grupo internacional de participantes, oriundos do Reino Unido, Holanda, Austrália e Portugal. Do dia 29 de Junho ao dia 5 de Julho, a Faia Brava encheu-se de vida e não faltam aventuras para contar.
 
No primeiro dia de trabalhos construíram-se marouços para coelhos, no  cercado de repovoamento próprio da Resenha, construído no âmbito do projecto "Promoção e Valorização do Património Natural do Vale do Côa". Nos últimos anos, apesar de algumas melhorias, as populações locais de coelho-bravo continuam relativamente pequenas, devido a surtos de doenças como a mixomatose e a febre hemorrágica viral. Sendo esta uma das principais presas da Águia de Bonelli, a ATN tem investido algum esforço no aumento da disponibilidade alimentar para o coelho-bravo, através da instalação de sementeiras, e no aumento directo da disponibilidade alimentar da águia, através da introdução de coelho-bravo em cercados próprios.
Para construir os marouços, utilizaram-se materiais simples e em 2ª mão, incluindo paletes, rede malha-sol e rede de ensombramento, terra e pedras.
Foram ainda colocados comedouros e bebedouros para apoiar a alimentação de 10 indivíduos , introduzidos no cercado pelos  participantes.

O segundo dia foi dedicado à observação e identificação de aves rupícolas, tendo os participantes acompanhado o estagiário João Godinho numa ronda pelas colónias de Grifo, para uma última contagem de crias. Durante a tarde, passada nas Hortas da Sabóia, junto ao acampamento, os participantes construiram comedouros para passeriformes, que serão instalados à volta do futuro centro de recepção, para apoiar a observação de aves. Já depois do jantar, e ainda com alguma energia, os participantes acompanharam o estagiário Pedro Alverca numa farolada, no âmbito do seu estudo sobre mamíferos da Faia Brava.  Os habitantes da Faia Brava mostraram-se tímidos, e não foi observado qualquer mamífero. No entanto, alguns participantes ficaram fascinados com a diversidade de insectos observados.

Durante o terceiro dia manteve-se a temática dos mamíferos, tendo.se realizado diversos transectos a pé para observação de vestígios. O Pedro Alverca explicou aos participantes a vantagem de utilização de várias metodologias no estudo dos mamíferos (armadilhagem fotográfica, transectos, faroladas ou transectos nocturnos). Já durante a tarde, o grupo deslocou-se até Algodres, onde foram recebidos pelo CERVAS, convidado pela ATN a libertar uma Águia-de-asa-redonda, em conjunto com alguma população local. Esta águia foi baptizada de Betsy pelos participantes.

No quarto dia, os participantes dedicaram-se a aprender sobre a importância das medidas de conservação de aves necrófagas implementadas pela ATN no vale do Côa. O campo de alimentação de aves necrófagas (CAAN), em funcionamento desde Março deste ano, é visitado duas vezes por semana. São depositados ossos  e restos de carne, provenientes dos talhos locais, que permitem aumentar a diponibilidade alimentar do Britango, o principal objectivo do CAAN.  Os participantes dedicaram a manhã à observação da actividade no CAAN. Estas observações são extremamente importantes, pois permitem o registo das espécies presentes, número de indivíduos, comportamento e, principalmente, permitem analisar qual a melhor metodologia para beneficiar a alimentação do Britango, espécie-alvo do CAAN. A tarde foi dedicada aum passeio ao Parque Arqueológico do Vale do Côa, para observação das gravuras rupestres paleolíticas, outro património que enriquece o vale do Côa. O jantar foi oferecido pelo Município de Figueira de Castelo Rodrigo, em Algodres.

No quinto dia de trabalho, os participantes participaram na recuperação e repovoamento de um pombal tradicional, começando com a anilhagem de pombos-da-rocha, que foram introduzidos no pombal, depois de fechadas todas as saídas e introduzido cereal. Esta técnica permite aos pombos habituarem-se à nova casa, sendo depois abertos os buracos do pombal, quando se confirmam tentativas de nidificação. Por fim, o pombal foi caiado por fora. Durante a tarde  foram muitas as mãos fque ajudaram na construção do novo cercado dos garranos. O novo cercado de 100ha está praticamente terminado, possibilitando um aumento significativo da área do projecto de silvo-pastorícia. A noite foi dedicada aos sabores e sons tradicionais, numa visita à festa "Às Segas", realizada em Escalhão.

Para descansar e conhecer melhor a região, a ATN dedicou o último dia a uma visita ao Parque Natural do Douro Internacional para observação de aves. Do miradouro do Penedo Durão foi possível observar 1 Cegonha-negra, 2 casais de Britango, inúmeros Grifos e  3 Falcões peregrinos. Belas observações  em jeito de despedida, que encantaram todos os participantes.
 
























Construção do marouço para coelhos
























Anilhagem de pombos a serem reintroduzidos num pombal tradicional