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ESPÉCIE DO MÊS
Escaravelho longicórnio (Cerambyx cerdo mirbecki) TaxonomiaNome Cientifico Cerambyx cerdo Linnaeus, 1758 Nome comum (inglês) – Cerambix longicorn, Greater Capricorn Beetle Sistemática Reino: Animalia Filo: Arthropoda Classe: Insecta Ordem: Coleoptera Família: Cerambycidae Género: Cerambyx Espécie: Cerambyx cerdo, Linnaeus, 1758 Subespécie: Cerambyx cerdo mirbecki, Lucas, 1842 Descrição Trata-se de um insecto de grandes dimensões (até 10 cm), de corpo alongado e robusto, coloração negra, mas a sua principal característica corresponde às antenas muito longas, que no caso dos machos são mais compridas que o próprio corpo (nas fêmeas as antenas atingem os élitros). Vive, na fase adulta, na zona exterior das árvores, tem uma boa capacidade de voo que lhe permite assegurar uma boa dispersão. É uma espécie sedentária. Trata-se de uma espécie predominantemente crepuscular-nocturna, o que dificulta a sua detecção. Os Cerambyx cerdo adultos possuem estruturas especializadas para produzir som. Biologia e Ecologia O ciclo de vida do Cerambyx cerdo dura 2 a 5 anos, dependendo das condições climatéricas e ambientais de cada área. Durante o Verão a fêmea põe 100 a 400 ovos dentro de porções profundas da casca das árvores, sendo que as primeiras larvas eclodem 8 a 12 dias depois. Durante a etapa larvar, que pode durar 2 anos, os indivíduos desenvolvem várias fases. Inicialmente as larvas começam a alimentar-se de madeira na zona cortical, e progressivamente vão penetrando nas partes mais lenhosas e interiores dos troncos e ramos das árvores. Nessa fase criam uma rede intrincada de galerias profundas, que pode danificar as árvores de forma muito significativa. A fase de pupa (cerca de 1 mês) ocorre no Verão ou Outono, sendo escolhida a parte mais externa das árvores. Na fase adulta o insecto mantém-se inactivo ou hibernando, inicialmente, dentro das árvores. O período sexualmente activo ou de voo, ocorre entre Maio e Setembro. Sendo uma espécie de dieta exclusivamente saproxilófaga (alimenta-se de madeira verde e em decomposição), este insectoestá intimamente associado a ecossistemas florestais maduros, nomeadamente as florestas autóctones de quercineas (em Portugal, os sobreirais, os azinhais, e os carvalhais). Este coleóptero tem preferência pelo ecossistema agro-florestal explorado em regime extensivo ou semi-extensivo, onde algumas árvores velhas são mantidas.
As larvas podem provocar danos significativos nas árvores e em meios florestais (em alguns casos a espécie é comparável a uma praga florestal). Estas situações ocorrem sobretudo em florestas com dominância de árvores velhas e debilitadas.
Distribuição e tendência demográfica A espécie tem uma ampla distribuição no Paleártico (Europa, Cáucaso, Médio Oriente, Norte de África), sendo mais comum nos países circum-mediterrâneos. As populações estão em regressão nos países do centro e norte da Europa. Em Portugal não existe informação suficiente para caracterizar a sua distribuição e situação demográfica. Estatuto de conservação Vulnerável (Livro Vermelho da IUCN, 1994) Directiva Habitats (92/43/CEE), (Decreto-Lei nº 140/99, de 24 de Abril, com a redacção que lhe é dada pelo Decreto-Lei nº 49/05, de 24 de Fevereiro, anexos B-II e B-IV) Convenção de Berna, Anexo III (Decreto-Lei nº 316/89, de 22 de Setembro) Ameaças e prioridades de conservação Sendo uma espécie intimamente associada a florestas maduras, as suas ameaças correspondem a todos os factores que contribuam para a degradação ou perda da estrutura e diversidade florestais. Em termos de medidas de conservação salienta-se a conservação de habitats florestais maduros, como é caso de manter exemplares (carvalhos) velhos ou mortos dentro de povoamentos florestais, reduzir o uso de pesticidas na agricultura e floresta. Situação na Faia Brava A espécie foi recentemente descoberta (Junho de 2010) numa zona planáltica da Faia Brava (chamado prado da Ribeira da Frieira), pelo Fernando Romão e pelo Paulo Barros. Um exemplar foi encontrado sobre o tronco de uma azinheira, numa área que se pode descrever como de pastagem, com azinheiras e sobreiros esparsos. A árvore mais comum é o sobreiro, sendo que alguns são de grande porte e estão profundamente degradados em termos sanitários. O local onde este insecto foi visto é pastoreado por garranos desde há 5 anos. Sítios de Internet recomendados
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