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ESPÉCIE

Lontra (Lutra lutra)

Cativante e discreta, a lontra é um animal de difícil observação, não só pelo seu comportamento reservado, mas devido à sua actividade principalmente crepuscular. Distinguíveis pelo seu corpo alongado e flexível, e pelagem acastanhada, estão equipadas com uma forte cauda, comprida e achatada na base, juntamente com patas espalmadas e fortes membranas interdigitais,  que lhes permitem facilmente nadar e caçar dentro de água. Possuem ainda uma dupla camada de pelos que as protege contra o frio e as impermeabiliza.

Adaptadas a quase todo o tipo de habitats aquáticos, estão distribuídas um pouco por quase toda a Europa e são relativamente comuns em Portugal, podendo ser encontradas em locais que possuam o mínimo de condições de refúgio e tranquilidade, ou seja,  em corpos de água cujas margens tenham abrigos e uma boa cobertura vegetal, assim como uma boa disponibilidade de alimentos como peixes e crustáceos.

Os machos e as fêmeas possuem um comportamento territorial que englobam em média 22Km de cursos de água, ou 30Km2 de área,  e vivem separados durante a maior parte do ano, encontrando-se apenas durante as suas deslocações ou para acasalar.  A cópula ocorre dentro de água e depois disso o macho é expulso pela fêmea, que cria os filhotes sozinha durante 7 a 12 meses e depois os expulsa também para procurarem os seus próprios territórios.

Embora relativamente bem conservada em Portugal, a lontra encontra-se ameaçada em alguns países da Europa, sendo as suas principais causas a alteração e destruição dos meios aquáticos, a poluição, a presença e perturbação humana, a morte por atropelamento nas estradas, a caça e o afogamento em artes de pesca.

Na Faia Brava, o sector do rio Côa que a atravessa é quase inacessível e, por isso, muito tranquilo, facto que permite a observação da lontra durante o dia. A sua existência tem sido ainda confirmada nas pequenas ribeiras que confluem para o Côa, através da armadilhagem fotográfica e, ao longo do rio Côa, principalmente pelos seus dejectos. Estes são facilmente identificáveis, encontrando-se normalmente depositados em cima de rochas à beira da água e são constituídos por restos de peixes e lagostins, libertando um forte odor a marisco.

Vanessa Mata